terça-feira, 6 de setembro de 2011

A primeira memória de um sashimi em pedaços

Pouquíssimos flashs vêm na memória: minha mãe me mandando ir lavar as mãos para almoçar, eu entrando no banheiro do quintal, depois subindo no vaso sanitário para alcançar a pia e é só. O resto é tragédia.
Tinha quase três anos na época. Devo ter colocado a língua para fora, em uma daquelas atitudes para atingir um grau maior de concentração. Escorreguei, bati o queixo na pia e cortei profundamente a própria língua com os pequenos dentes, novinhos, que haviam acabado de nascer. Quase a engoli literalmente.

Minha primeira lembrança e uma cicatriz para a vida inteira.
No entanto da dor não me recordo, o que já é algo a se dar graças. Minha mãe pingava um cicatrizante para que o ferimento desaparecesse mais rapidamente. Imagino que não se levava ponto na língua.

Um órgão esquisito. Me lembra um super pedaço de sashimi preso à garganta e eu não sou muito chegada em peixe cru.


{com 2 anos, no meu batizado, minha língua ainda estava firme e forte}

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