quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Me acorda mais cedo amanhã?

Por quantas janelas, de quantos ônibus.

A cidade passa tão morta e devagar que às vezes acho que quem morreu fui eu. 

Quantas pessoas realmente sabem? Quantas olham pela mesma janela e te perguntam se você conseguiu enxergar alguma coisa hoje? 

Às vezes eu consigo ir cantando para o ponto de ônibus e tudo parece estar razoavelmente bem. Às vezes também consigo olhar nos olhos de alguém e ser verdadeiramente confiante. 
Às vezes o ônibus bate na minha cabeça e me acorda, e eu percebo que ainda não saí do lugar apesar de tudo. 

E ele continua andando. 
Muitas vezes depressa demais e não dá tempo.

E eu continuo desperdiçando todo o tempo que eu tenho. Deixo a água quente do banho escorrer devagar e se perder no esgoto. Deixo a sujeira colar escondida na minha unha. Deixo o cobertor me fazer suar. Me deixo para dentro de casa enquanto você passa no seu carro lá fora onde o dia está vivo e te deixa enxergar. 
Mas o ponto que eu tenho que descer ainda não chegou. Na verdade eu nem sei qual é.