"Primeiro, a carta não tem justificativa. Acho que nem precisa ter. Sabe aquele medo tosco de morrer ou ficar vegetando sem ter falado para todos tudo o que precisava? Então, é mais ou menos isso.
(...)
Você sabe que eu sou péssima em informalizar (deixar menos formal) um negócio (tipo uma carta). Acabo achando tudo uma vergonha quando releio depois de uns... 7 dias. Também sabe que no fundo no fundo, bem lá no fundo mesmo, eu queria ser muda e me comunicar por sinais, porque seria muito mais confortável. (...)
Eu não sou perfeita. Você perdoa meus erros gramaticais, minhas opiniões mal formadas, minha teimosia, a criança dentro de mim que me fez cair de joelhos por alguém dois anos mais novo, a minha mudez voluntária de vez em quando e claro, a minha gloriosa memória seletiva e a rapidez do meu raciocínio. Esqueci de alguma coisa?
Obrigada por isso.
(...)
Acho que o mais esquisito de criar uma relação com alguém é tentar entender como aquela pessoa teoricamente estranha a sua vida pode ter tanto afeto por você. Porque para mim é difícil calcular o impacto que eu causo em alguém(...).
Sabemos que ano que vem é uma incógnita. Ninguém tem nem ideia de onde raios desse planeta vamos estar (nem mesmo amanhã). Apesar disso eu sinto que me perder de você seria uma contradição da física, porque alguma coisa me diz que estamos todos conectados de alguma forma, e talvez as conexões entre as pessoas possam ser explicadas pela ciência algum dia.
(...)"
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