Ouvir histórias do avô. Algo que quase nunca me contaram.
Pouco me falam de meus avôs, como já disse. Me faz muita falta.
Imagino que fez mais para a minha mãe, que perdeu o pai aos 7 anos de idade. Leucemia.
Sei que meu avô materno era bonito, querido por todos e trabalhava com marcenaria. O vô Antônio. Não o conheci, como é óbvio, por tanto dele só tenho imagens, fotos. Pouquíssimas.
Meu avô paterno era músico Vô Paulo. Tocava, entre outros instrumentos, piston (seu principal), sanfona, violão, gaita... Foi o segundo marido da minha avó, com quem teve dois filhos, meu pai e uma menina, que faleceu fatalmente.
Por trabalhar também com marcenaria (assim como o materno), teve alguns acidentes de trabalho e acabou perdendo alguns dedos. Também perdeu metade da perna por conta da diabete. A imagem que eu tenho dele é essa, do seu corpo na cadeira de rodas e de como era doce comigo. Seu rosto não me recordo e não temos nenhuma foto, infelizmente.
O que mais me marcou dele foi sua oficina, onde ficavam os trabalhos feitos por conta própria. Eram caixas relativamente grandes de vidro e bordas de madeira que possuíam mecanismos elétricos, luzes e bonecos também de madeira que se mexiam, andavam, trenzinhos que corriam por trilhos e entravam por dentro de pontes e mais coisas que não consigo estar cem por cento certa do que seriam, por ser ainda muito pequena para lembrar. Aquela sala tinha um cheiro muito característico, indescritível, de madeira, cola e mais alguma tinta adocicada. Não sei ao certo.
Fui ao enterro dele. Falecera em 2002, tinha por volta dos nove anos. Mas pela lembrança que tenho parece que foi a muito mais tempo.
Me recordo de toda aquela família que não conheci, por parte dele. É muio estranho pensar em todos eles, todos os tios, tias, primos, primas que não faço a mínima ideia de quem sejam, de como chamam, onde vivem, o que fazem. Se divorciaram, minha avó e ele, e então se casou com outra mulher, que era um amor de pessoa.
Talvez seja graças a ele que tenha esse gosto tão profundo por música. Um prazer inexplicável.
Mas ainda dou graças por ter duas avós maravilhosas. Um dos melhores tipos de pessoas da vida.
(P.S.:Essa é a única parte realmente triste da minha vida. Não se sinta mal por minha causa, por conta da história ou por qualquer outro motivo. Fatalidades acontecem, ninguém pode fugir disso)

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