A cidade passa tão morta e devagar que às vezes acho que quem morreu fui eu.
Quantas pessoas realmente sabem? Quantas olham pela mesma janela e te perguntam se você conseguiu enxergar alguma coisa hoje?
Às vezes eu consigo ir cantando para o ponto de ônibus e tudo parece estar razoavelmente bem. Às vezes também consigo olhar nos olhos de alguém e ser verdadeiramente confiante.
Às vezes o ônibus bate na minha cabeça e me acorda, e eu percebo que ainda não saí do lugar apesar de tudo.
E ele continua andando.
Muitas vezes depressa demais e não dá tempo.
E eu continuo desperdiçando todo o tempo que eu tenho. Deixo a água quente do banho escorrer devagar e se perder no esgoto. Deixo a sujeira colar escondida na minha unha. Deixo o cobertor me fazer suar. Me deixo para dentro de casa enquanto você passa no seu carro lá fora onde o dia está vivo e te deixa enxergar.
Mas o ponto que eu tenho que descer ainda não chegou. Na verdade eu nem sei qual é.
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