sexta-feira, 20 de junho de 2014

Te espero daqui 50 anos na esquina do nosso bordel

Essas coisas, as que nos cutucam os olhos no escuro do quarto, ou mesmo de dia na luz cega do sol, esperam ansiosamente que paremos de fingir. Fingir que a vida não nos apavora. É uma das melhores frases que li nos últimos tempos.
Acho que a agonia maior de ser jovem é ter tanto potencial. Todo nós nascemos com essa bolinha pequena chamuscante cheia de energia pronta para saltar no primeiro impulso e cair nas garras da sua fortuna, para que mais tarde a gente se pergunte como diabos ela foi parar em lugares tão indesejáveis. E aí, antes do desastre todo, ficamos ansiosos demais porque quanto mais adultos nos tornamos, mais acreditamos que a bolinha não tem energia o suficiente para saltar tão longe ou que a fortuna já não tem muitos caminhos interessantes a oferecer. É o que enxergamos nas pessoas que já cresceram e que já apanharam muito e ainda estão apanhando (porque talvez quando eram jovens, o paradeiro de alguma bolinha velha as traumatizou e fez com que as suas próprias pulassem para o lado errado).
É essa bolinha ridícula que faz com que fiquemos tão perdidos, porque para nós e principalmente para quem já acredita não a possuir mais ela tem um valor infinito que não pode nunca ser desperdiçado, se não temos quase certeza que um dia algum dedo grosso desgastado vai apontar para a nossa cara e dizer: por que você mandou ela pra lá e não pra cá? A culpa é toda sua, agora aguenta.
Queria poder agarrar essa bolinha na mão e falar vai, agora se joga nessa porra dessa vida, que não vai ser fácil, mas se for para te deixar ir no caminho que te disseram para seguir, prefiro que você vá pra puta que te pariu. Aquela maravilhosa puta que talvez seja a sua salvação eterna.  


Um comentário:

Stella BT disse...

Gosto desse blog, e não sabia que ele ainda existia. É engraçado como, às vezes, a gente sente uma coisa e acha que está sozinho no mundo a senti-lo.Mas é um sentimento tão grande e tão esmagador que é mais do que óbvio que não pode ser só nosso.
"Tenho medo de desperdiçar a vida e me desperdiçar. De chegar lá na frente e perceber que não escapei daquele destino manjado, de não ter atingido um ponto mais alto, mais interessante e emocionante do que a maioria consegue atingir. Medo de não poder ser o meu melhor."